10 junho 2009

Os não-alunos

Neste primeiro semestre de 2009, tenho sete classes (04 no Sapopemba, 02 no Rocha, e uma em Mauá), e dias atrás fiquei extremamente triste com uma delas.
Ao chegar na sala de aula, reclamaram porque eu nunca faltava (o que eu achei um absurdo); depois perguntaram se eu daria aula (como se minha presença, como professor, tivesse outra finalidade) porque não queriam fazer nada (o que me obrigar a rebater dizendo que se alguém não quisesse ter aula, que não viesse à escola ou que fosse embora no intervalo, pois ninguém estava ali porque era obrigado); Daí entreguei um artigo de jornal sobre um assunto pertinente à disciplina, e enquanto eu explicava a atividade a ser trabalhada com o artigo, ninguém prestou a atenção, e na maior cara de pau, cinco minutos depois vieram perguntar o que era para fazer com aquele texto...
Na minha época de Ensino Fundamental e Médio, os alunos eram tão mais dedicados, tão mais educados, e dá vergonha de ver alunos como os desta sala, tão desencanados dos estudos, tão infantis, tão arrogantes e por mais que eu dê uma variedade de atividades (debate, seminário, interpretação de artigos, pesquisa, filme), com diálogo totalmente aberto, ainda assim, a aula é um parto!
Lógico, quando se opta em se tornar professor, você adquire o kit completo: os bons alunos, e também os mau alunos. Não é opcional lecionar apenas para aqueles que tem interesse, nem é nossa missão. Nossa missão é transmitir conhecimento à todos, assim como mostrar caminhos, alternativas, apoiar, incentivar, aconselhar, incitar a fome do conhecimento e de vitória, ampliar o olhar para além do bairro que se viveu a vida toda.
Não quero ser o melhor professor que eles já tiveram na vida, quero que eles sejam seres humanos melhores, profissionais de sucesso, e principalmente, felizes. Mas uma coisa é certa, para atingir este patamar, eles têm que amadurecer muito e acordar para a vida, respeitando seus pares e as pessoas ao seu redor, o que infelizmente hoje não acontece.

Um comentário:

Gleyce disse...

Eu concordo plenamente com o que você disse Rogério,não adianta querermos ser algo na vida se não damos o devido valor á aquilo que nos é proporcionado.Ha pessoas que não se importam com o esforço que os outros fazem,o que muitas vezes nos desanimam, pois queremos dar o nosso melhor.E acabamos descobrindo que se leva tempo para construir confiança, mas em contra partida, segundos para destruí-la.