18 julho 2008

Aborto

Foi arquivado novamente esta semana no Congresso Nacional, um projeto de legalização do aborto aqui no Brasil. Quem era contra o projeto festejou com caixões de papelão e bonecas, fazendo alusão de que mataríamos crianças com isso.
Sem levar o assunto ao mérito da religião, acho que o assunto é um pouco delicado.
Aqui no Brasil, há décadas há a falta da cultura do planejamento familiar, o que faz aumentar o número de pessoas nascendo sem acesso a uma vida com condições de desenvolver seu lado cidadão e humano.
O Governo não oferece quantidade e qualidade em seus serviços públicos suficientes para atender toda a sua população, gerando desigualdade, miséria e violência.
E há o que mais preocupa aqueles que vetam o projeto da legalização do aborto: a promiscuidade das pessoas e o "desencanamento" quanto à vida que elas colocam no mundo sem saber se querem ou não aquele filho, ou pior, se tem condições financeiras e psicológicas de cuidar da formação daquele toquinho de gente.
Sempre ouvimos aqueles absurdos masculinos do tipo: "transar com camisinha é como chupar bala com papel"; ou absurdos femininos do tipo: "se eu pedir pra ele usar camisinha ele não vai querer e vai me deixar"; ou absurdos gerais do tipo: "Nunca vai acontecer comigo"; ou pior: "Se não acontecer, ótimo, se acontecer, tô nem aí".
Acho que por enquanto está bom do jeito que está, enquanto não melhorarmos a qualidade de vida de todos e tivermos uma cultura do planejamento familiar.

Um comentário:

Dinha disse...

Adorei você ter abordado esse tema e da forma que falou. Acredito que o aborto, assim como, temas como a redução da maioridade penal, não devem ser pensados de forma isoladas ou ter a fantasia de que uma lei resolve tudo.
Concordo plenamente que falta mais investimento do saber, da informação, da organização dos serviços no que se refere ao planejamento familiar. Também não podemos descartar a quantidade de pessoas que "produzem" filhos para se pendurar nos programas assistencialistas dos governos.
E, acrescento, a desvalorização da vida, de que tanto faz fazer ou desfazer (de) uma criança.