18 julho 2008

Zé Ribeiro

Outro dia, sem avisar, bate o Zé Ribeiro à porta. Dinha e eu estranhamos, pois deveria ser algo importante. Ele viera fazer uma visita rotineira, como ele costuma fazer na casa dos amigos.
Era a primeira vez que Dinha e eu víamos desde o começo de Janeiro, e o clima confesso não estava tão leve, levando em consideração que ele não foi à Juta no Dia de Sebastião.
Eu particularmente tinha dificuldade em entender alguns comportamentos dele, e aproveitei naquela tarde para perguntar a opinião dele sobre várias coisas e até agora não sei dizer se as respostas me causaram surpresa ou se a surpresa foi não ver possibilidade de mudança em coisas tão simples e tão abstratas.
O relacionamento dele com as 04 Aparecidas é bem escasso, falho, e quase sem sentido do porque existir. Não digo que por culpa dele, delas, ou de todos. Mas não deveria ser assim, e alguém deveria tomar uma atitude.
Confesso que mesmo chegando 30 anos depois de toda a confusão e não sendo nem um pouco da minha conta, me incomoda tal situação. Desde que adotei a tolerância zero (um abraço p/ Rudolph Giuliani bela brilhante idéia) há uns dois anos em minha vida, confesso que gostaria de poder fazer algo para mudar tal situação, mas não sei se deveria forçar a barra (dum modo sutil).
Reclamo que as pessoas falam demais e fazem de menos, e por isso tento falar o mínimo possível e fazer o máximo que der, e gostaria de fazer algo neste sentido. O problema é como.
Não gostaria de chegar aos meus 50 sem receber um abraço verdadeiro, um beijo verdadeiro, um sorriso verdadeiro, não ser desejado em algum lugar. Acho que preferiria morrer se sentisse qualquer uma dessas coisas, mas minha visão deveria estar 100% , e aí é ponto.
Gosto de relações estreitas, fortes, até que a morte nos separe, mas como retificar a rasura, levantar, sacudir a poeira, e dar a volta por cima? Porque comprar uma quase-briga que não é minha? Como fazê-la? Posso fazê-la? Se sim, posso do meu jeito?

Um comentário:

Dinha disse...

Rogério,

Precisei de muito tempo, para elaborar este post e decidir o que responder à sua “provocação”.
O assunto não morreu dentro de mim, neste dois meses, e percorreu por muitos caminhos. Acho que sempre que o assunto for relacionamento, existe uma complexidade quase que natural para ser tratado. Não acredito nos relacionamentos extremistas do tipo é meu amigo ou inimigo; falo ou não falo; é bom ou é mal. No fundo, temos um pouco de cada coisa e nos relacionamos com pessoas de diferentes formas: amigos, amigos mais que irmãos, colegas, conhecidos, companheiros de (trabalho, faculdade, academia...). Pessoas que gostamos muito, pouco, pouquíssimo, apenas toleramos, não gostamos ou até odiamos. E quem bom que a vida é assim. Não precisa ser 8 ou 80, mas pode ser do 9 ao 79. Veja quantas possibilidades.
Resolver um cálculo da física, da matemática por mais complexo que seja, é apenas raciocínio lógico. Requeira, talvez, um pré-saber científico, atenção, razão, exatidão e, haverá apenas 01 resposta correta. Quando falamos de sentimento, não é assim. Não é tão simples assim. Você consegue pensar porque faz a opção de investir energia em não gostar de alguém? Por que fica ansioso, nervoso, pré-ocupado? Se pudéssemos conter os sentimentos, poderíamos simplesmente escolher apenas sentir amor, paz, eterna felicidade. Mas, é assim?
O que acontece na vida das pessoas, tem haver com as escolhas que fez e faz ao longo da vida. Se uma pessoa está sozinha aos 50 anos, a resposta deve ser buscada nela mesma, o que ela fez para viver esta realidade hoje? Acho que as pessoas sempre podem mudar. Mas a resposta é emocional e para o emocional o tempo não é o cronológico.